Iain Mott

Iain Mott

Artista sonoro inglês-australiano e professor adjunto no Departamento de Artes Cênicas na Universidade de Brasília (UnB) na área de voz e performance, ministrando as disciplinas: A Voz em Performance e Sonoplastia 1. Como artista, atua desde 1990 como especialista no campo da arte sonora, mídia arte e instalação. Realizou exposições na Austrália, Áustria, China, Espanha, Holanda e no Brasil. Participou com Experimenta Media Arts da Austrália na exposição “Emoçao Art.ficial”, no Instituto Itaú Cultural, São Paulo com sua instalação “Close” em 2002. Sua instalação “Sound Mapping” foi selecionado para exposição no festival Ars Eletronica em Linz, Áustria em 1998 e o projeto recebeu um “Honorary Mention” no Prix Ars Electronica do mesmo ano. Em 2005 recebeu o “Australia China Council Arts Fellowship” para trabalhar com a organização de Pequim “The Long March Foundation”. Seu trabalho “Zhong Shuo”, feito em colaboração com artistas chinesas, recebeu terceiro lugar no “UNESCO Digital Art Awards” de 2005. Foi artista em residência no “CSIRO Mathematical and Information Sciences” em Camberra para 12 meses em 1999/2000. Sua instalação mais recente, feito em colaboração com atriz Simone Reis, O Espelho, foi apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Brasília no segundo semestre de 2012 entre outros lugares.

Possui doutorado pela University of Wollongong, Austrália (2010) intitulado Sound Installation and Self-listening orientado por Prof. Dr. Greg Schiemer e graduação, Bachelor of Science (BSc), na University of Queensland (1986). Concluiu ainda Graduate Diploma in Music Technology (especialização em tecnologia contemporânea da música) na La Trobe University, Melbourne (1990). Foi Professor Visitante da UnB por quatro anos até 2012 ministrando disciplinas como Elementos da Linguagem, Estética e História da Arte (ELEHA3), Acústica Musical 1, Teoria e Prática de Gravação 1 e Composição 1, 2, 3 e 7. Participa como professor orientador do Laboratório de Performance e Teatro do Vazio (LPTV), grupo de pesquisa e extensão do Instituto de Artes vinculado ao Decanato de Extensão (DEX) e ao Departamento de Artes Cênicas da UnB.

Currículo Lattes

Quinta, 24 Setembro 2015 15:17

Sound Mapping

Um trabalho de ambiente aberto, Sound Mapping (Mapeamento do som) faz uso da localização geográfica dos participantes de forma a produzir som. Usando malas instaladas com GPS, equipamento de percepção de movimento, computadores e comunicação por rádio, membros do público exploram uma composição passo a passo. O som criado é fundamentalmente relacionado com a arquitetura, fisicalidade e história de um lugar, tanto quanto com o movimento e criatividade do público. Sound Mapping foi apresentado no Sullivan’s Cove em Hobart pelo Tasmanian Museum and Art Gallery em 1998 e no festival Ars Electronica em Linz, Austria em Setembro do mesmo ano. O trabalho recebeu uma Menção Honrosa no Prix Ars Electronica de 1998. O trabalho foi remapeado para South Bank, Melbourne para o evento Experimenta em 2002 e para a Sydney Opera House em 2004.

Sound Mapping foi feito colaborativamente por Iain Mott, Marc Raszewski e Jim Sosnin. O projeto foi apoiado por: Australia Council, Arts Tasmania, Vere Brown, Fader Marine, Salamanca Arts Centre, Hobart City Council e Hobart Summer Festival.

Segunda, 21 Setembro 2015 18:04

Cerrado Ambisônico

Pesquisa acústica-espacial do cerrado sob a perspectiva das artes cênicas

Professor responsável: Dr. Iain David Mott
Departamento de Artes Cênicas (CEN)
Universidade de Brasília (UnB)

Projeto aprovado pelo MCTI/CNPq no Edital Universal Nº 14/2013.

Objetivos

Estudar a acústica e a paisagem sonora dos fitofisionômicos e dos acidentes geográficos do parque nacional Chapada dos Veadeiros, Goiás e produzir ambientes acústicos virtuais a partir de investigações para aplicação nas artes cênicas. O projeto irá enfatizar, em particular, a voz humana e sua integração com a paisagem sonora do cerrado. Dados crus da pesquisa serão usados na criação de novos trabalhos artísticos e disponibilizados na Internet para incentivar o diálogo entre as áreas de conhecimento e novas pesquisas. De um modo geral, o projeto pretende investigar o cerrado do Planalto Central e suas comunidades sob uma perspectiva sonora. O projeto acolhe a participação do publico de Alto Paraíso e irá fazer parte das atividades de pesquisa e extensão do coletivo Audiocena, vinculado ao Laboratório de Performance e Teatro do Vazio (LPTV), da UnB. Cerrado Ambisônico criará trabalhos de instalação teatral e radioteatro, contribuindo para a formação de estudantes de graduação em Artes Cênicas da UnB, sob a perspectiva da interdisciplinaridade.

Metodologia

A abordagem do movimento canadense de ecologia acústica será a base conceitual do projeto, examinando os elementos acústicos de um lugar designado como sistema dinâmico de trocas de informação. Medidas de respostas ao impulso serão feitas para facilitar a simulação da acústica do meio ambiente através de um processo associado de convolução. Além disso, as técnicas de gravação ambisônica e gravação binaural irão possibilitar a reprodução de paisagens sonoras e suas acústicas por meio de fones de ouvido e sistemas multicanais de alto-falantes.

Visão Global do Projeto

Cerrado Ambisônico envolve uma coleção de gravações e respostas aos impulsos ambisônicos e binaurais em uma variedade de ambientes distintos ― chamados fitofisionômicos ―, bem como acidentes geográficos da Chapada dos Veadeiros nos períodos secos e chuvosos. Os dados serão usados na criação de ambientes virtuais para aplicação em instalações teatrais e em radioteatro. Dados crus ― gravações e respostas aos impulsos ambisônicos e binaurais ― serão disponibilizados na internet em um mapa, para incentivar outras investigações e o discurso sobre a paisagem sonora do cerrado pelo público e através de diversas áreas de conhecimento. Os dados também serão usados em sonoplastias compostos pelo coordenador do projeto para instalação e radioteatro. Essas paisagens sonoras ressintetizadas, podem ser representações literais do meio ambiente da Chapada dos Veadeiros, ou não. O meio ambiente pode funcionar como ponto de partida nas composições, os quais poderiam levar a abordagens mais fantásticas. Fundamentais nessa elaboração da paisagem sonora natural, serão as respostas ao impulso, que possibilitarão a introdução de novos sons dentro do ambiente virtualizado do cerrado. A voz dos atores será tratada de modo que os processos de convolução da voz com as respostas ao impulso irão projetá-la para soar como parte integral do ambiente. Além dos desafios técnicos e acústicos, os quais são abordados pelo uso de gravação ambisônica ou binaural e convolução etc., a integração da voz no meio ambiente traz problemas estéticos; especificamente em relação às interações da voz com os outros barulhos do meio ambiente. Para resolvê-los, o projeto utilizará um ponto de vista semelhante ao Projeto Paisagem Sonora Mundial (World Soundscape Project) e o movimento subsequente de ecologia acústica, nos quais a voz existe no ambiente como parte de um sistema dinâmico de trocas de informação. Sob esse prisma, a voz e os outros elementos da paisagem sonora virtual serão compostos e equilibrados.

Quarta, 16 Setembro 2015 18:04

Close (2001)

Close é uma instalação de som e vídeo multi-tela de Iain Mott que examina a morte e a perda. Nesta instalação o público vê um personagem na tela e escuta o som sob a perspectiva desse personagem, através de técnicas de gravação 3D. Close foi exposta no Melbourne Festival e na Art Gallery of NSW em 2001. Exposta em 2002 no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, na Queensland Art Gallery, no Itaú Cultural em São Paulo na exposição Emoção Art.ficial, no Performance Space em Sydney, Multimedia Art Asia Pacific (MAAP) e no Dashanzi International Art Festival em Beijing.

Ficha técnica
Justin Brickle - diretor de fotografia
Dominic Bromilow - iluminação
Stephen Dixon - editor/gravação de áudio
Christiane Hanesch - continuidade
Iain Mott - escritor/diretor/editor de áudio


Elenco
Iain Mott - subjeito
Reno Pontonio - cabeleireiro
Produzido com assistência do seguinte organizações: Arts Victoria, CSIRO Mathematical & Information Sciences, e a Australia Council. Filmado na CSIRO Building Construction and Engineering, Melbourne. Edição "offline" na Fine Cut.
Domingo, 13 Setembro 2015 18:09

Um Rei à Escuta

Uma voz significa isso: existe uma pessoa viva, garganta, tórax, sentimentos,
que pressiona no ar essa voz diferente de todas as outras vozes.
Uma voz põe em jogo a úvula, a saliva, a infância, a pátina da existência vivida,
as intenções da mente, o prazer de dar uma forma própria às ondas sonoras.
— Italo Calvino

O projeto Um Rei à Escuta propõe a realização de um teatro acústico para fones de ouvido. Foi produzido pelo Laboratório de Performance e Teatro do Vazio (LPTV) em parceria com o Laboratório Transdisciplinar de Cenografia (LTC), ambos grupos de pesquisa e extensão do Instituto de Artes (IDA), vinculados ao Decanato de Extensão (DEX) e ao Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB).

Um Rei à Escuta foi baseado no conto homônimo do escritor italiano Ítalo Calvino e foi produzido pelo Audiocena – nome dado a uma das linhas de pesquisa desenvolvidas no LPTV –, que trabalha a voz, o som e a escuta, com foco particular nas suas propriedades espaciais, e com manifestações práticas nas formas de instalação, performance e radioteatro. Desse modo, além das pesquisas de tecnologias de gravação e reprodução de som, as investigações acerca da produção vocal e a performance no contexto dos ambientes acústicos virtuais são fundamentais.

O caderno

O caderno foi confeccionado de modo a não simplesmente explicar os elementos da encenação proposta, mas de reproduzi-los tanto quanto possível. Sendo assim, o caderno é, ele mesmo, objeto de arte. Além de haver gravações de partes do conto de Ítalo Calvino, o jogo de espelho da proposta cenográfica é parcialmente sugerido de maneira a trabalhar a ideia de que quem experimenta o teatro acústico automaticamente assume a identidade do rei.

Outro viés do projeto são suas características interativas: o público é convidado a experimentar o caderno e é instruído sobre como fazê-lo. Há botões que devem ser acionados para que as gravações binaurais sejam ouvidas pelo fone de ouvido e para que o público grave no interfone seu próprio áudio, o qual será, imediatamente, enviado à página do Audiocena na internet.

Considerando que Um Rei à Escuta utiliza como imagem poética o conceito de Mise en abyme (narrativa em abismo), em que uma narrativa contém em si outras narrativas – haja vista o jogo de espelhos na proposta de cenário –, o projeto trabalha com a ideia do caderno (caixa com o aparelho de som) dentro do caderno (projeto propriamente dito) dentro do caderno (conto em miniatura de Ítalo Calvino).

Atores/vozes:

Déborah Soares
Felipe Fernandes
Rogério Luiz

Design

Eric Costa
Julia Gonzales

Direção, produção de áudio e sonoplastia:

Iain Mott

Descrição técnica

O áudio, no projeto Um Rei à Escuta, foi codificado binauralmente, ou seja, foi produzido para reproduzir a maneira com a qual ouvimos sons espacialmente, com nossos dois ouvidos. Localizamos sons em 3D por meio de vários fatores físicos, incluindo a presença de dois ouvidos e os seus posicionamentos na cabeça. A nossa habilidade de localizar sons no espaço compreende a capacidade de perceber as interações entre ondas sonoras e o corpo. Técnicas de gravação binaurais imitam esses fatores para criar um campo sonoro, aparentemente em 3D quando escutado com fones de ouvido.

No projeto, usamos duas técnicas binaurais. Uma puramente acústica e a outra sintética. No primeiro caso, sons foram capturados por dois microfones pequenos posicionados nos ouvidos da pessoa responsável pela captação de áudio. Essa técnica foi usada principalmente para capturar os sons ambientais na produção, mas, às vezes, para capturar improvisações dos atores. A segunda técnica foi usada para gravar as vozes dos atores falando o texto. Essas gravações foram capturadas em mono e os arquivos processados no computador para sintetizar seus posicionamentos no espaço e a acústica de uma sala. Vários softwares no sistema de operação Linux foram usados na preparação dos arquivos, incluindo: o Soundscape Renderer (SSR), Puredata, Ardour, Jconvolver e o Jack Audio Connection Kit. Além das gravações de vozes e sons ambientais, algumas composições eletroacústicas são incluídas e foram feitas com o programa de síntese Csound. Dentro dessas composições, os sons dos satélites "Sputnik 1" e "AO-07" são reproduzidos com a permissão de Roy Welch e Don Woodward respectivamente.

O produto em suas mãos contém vários aparelhos para tocar e gravar som, incluindo um computador Raspberry Pi com o sistema Satellite CCRMA, uma placa Arduino Uno e um microfone. A placa Arduino é ligada aos vários botões do caderno e quando pressionados ela envia mensagens para o Raspberry Pi. O Raspberry Pi usa um sabor de Linux chamado Satellite CCRMA, toca as gravações preparadas e grava a voz do leitor com o programa Puredata. Além disso, o computador é equipado com WiFi colocando automaticamente as gravações do público.

Referências bibliográficas

CALVINO, Italo. Um Rei à Escuta. In: Nilson Moulin (Trad.); Sob o Sol-Jaguar [Sotto il sole giaguaro, 1986]. p.57–89. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Agradecimentos

Departamento de Artes Cênicas da UnB, Don Woodward, Francisco Eudasio de Lima, Glauco Maciel, Jim Sosnin, Matthias Geier (SSR), Roy Welch, Sonia Paiva e equipe.

Quinta, 10 Setembro 2015 19:58

The Talking Chair

The Talking Chair é um ambiente para ouvir sons em três dimensões, permitindo aos participantes controlar a trajetória do som pelo espaço que os rodeia. O trabalho tem uma estrutura externa parar suportar um conjunto de seis alto-falantes, uma cadeira central, e uma interface de usuário envolvendo uma varinha de ultrassom. Um sistema remoto de áudio é ligado por cabo. Sentado na cadeira, o participante interage com o trabalho pela varinha, a qual cria dados tridimensionais usados para produzir o som e desenhar a trajetória dele pelo espaço. Enquanto o som muda, suas qualidades acústicas também mudam em resposta à sua proximidade com o ouvinte, velocidade e localização espacial. A cadeira esculpida assume uma presença humana dentro os arcos da estrutura. Os arcos definem um espaço sonoro que é tanto quanto dinâmico e esférico, com o ouvinte na posição central.

The Talking Chair foi feito colaborativamente por Iain Mott, Marc Raszewski & Jim Sosnin. O projeto foi apoiado por: The Australia Council. O trabalho tem sido exibido nos estados de Victoria e Tasmânia na Austrália, e na 1996 International Computer Music Conference em Hong Kong.

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